quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Conforme solicitado pelo curso de Educação Ambiental da UFLA estou postando meu comentário sobre os vídeos e as discussões nos fóruns:

Preservação Integral x Sustentabilidade: caminhos opostos que se complementam

Com a crescente degradação da natureza após a evolução industrial, o ser humano viu-se diante do dilema de preservar a natureza, diante da escassez dos recursos naturais e da ameaça à sua própria sobrevivência.
Seguindo o modelo norte-americano, países da América Latina criaram áreas de preservação protegidas por lei, como forma eficaz de coibir a degradação ambiental.
Entretanto, a grande parte destas áreas possuem uma população nativa de indígenas ou de sertanejos (mestiços) que, segundo alguns especialistas e o imaginário popular, teriam um modo de vida mais harmônica ao meio ambiente, estando cientes de sua dependência econômica e existencial e, consequentemente, manteriam uma relação de sustentabilidade ambiental, algo muito diferente do contexto industrial contemporâneo.
O problema surge com a questão da metodologia e das estratégias para manter a preservação dessas reservas naturais e sua população. Muitos ecologistas adeptos de visão mais tecnicista e conservadora, alertam para o fato de que somente áreas sem a presença humana podem ser preservadas integralmente. Alegam que a convivência do homem com a natureza sempre vem acompanhada da exploração desta, mesmo no caso de populações indígenas habituadas no meio florestal. Comprovam através de dados geológicos e históricos que mesmo os indígenas na era pré-cabralina tinham explorado consideravelmente a natureza, levando à extinção, além disso, inúmeras espécies vegetais e animais. Assim, o ideal do "bom selvagem" é fruto de um pensamento coletivo do século XVIII, herdeiro das teorias naturalistas de Rousseau.
Por outro lado, grande parte dos ambientalistas seguem um modelo bem diverso na apreciação deste problema. Alegam que é possível a convivência harmônica e sustentável do homem com a natureza, nos moldes das populações indígenas, sertanejas e ribeirinhas, enquanto afastadas do contato do mundo capitalista-industrial. Além de conservarem o meio em que vivem, alguns especialistas afirmam que certas espécies de vegetais e animais dependem sobremaneira dessa relação homem/natureza.
Decerto, ambas as correntes de análise tem seus méritos e trazem verdades que podem auxiliar a compreender a realidade socioambiental, mas deve-se admitir que ambas tratam a questão de forma unilateral. É evidente que o ser humano, desde os primórdios, explora o meio em que vive. Desmistificar certas imagens construídas pelo tempo é essencial na busca de cientificidade nas análises. Cultuar o ideal do nativo ou sertanejo alheio ao mundo moderno é romancear a questão, uma vez que esse status quo só é mantido se as condições de isolamento social forem mantidas. Caso contrário, o "bom selvagem" acaba se transformando num capitalista que prefere vender a madeira de suas terras para se acomodar ao mundo moderno.
Entretanto, a expulsão ou a retirada das populações nativas ou sertanejas das áreas de preservação é uma solução unilateral e simplória que pode provocar mais miséria, uma vez que essas populações não tem condições educacionais e profissionais para engajarem na sociedade industrial.
Nesse sentido, a postura socioambiental é mais acertada na maioria dos casos, tendo em vista a preservação sociocultural dessas populações.
 

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