sexta-feira, 4 de outubro de 2013



4 de outubro - Dia de São Francisco de Assis - o Patrono dos Ecologistas

Resolvi fazer uma pequena homenagem a esse grande homem que tanto marcou a História por sua espiritualidade, desprendimento, caridade e amor à natureza. Por isso, peguei um comentário do site Planeta Sustentável que, apesar de sucinto, não deixa de ser relevante ao tema da Educação Ambiental.


O que torna um homem notável é sua paixão pela existência. Francisco de Assis era assim, capaz de enxergar beleza no bater de asas de uma borboleta, no fluir de um rio, em cada raio de sol. Nos sopros de vida que o rodeavam, ele encontrava Deus. Em seu livro O Francisco Que Está em Você (Ed. Paulus), o teólogo Wilson João diz que, perto desse mestre, toda a natureza funcionava como uma orquestra: as feras se curvavam, as aves cantavam e as flores batiam palmas, reverenciando sua atitude de amor.

Não é à toa que ele se tornou patrono dos animais e ainda hoje é representado com pássaros sobre os ombros. No Cântico das Criaturas, de sua autoria, ele homenageia a natureza e chama o Sol, a Lua e o vento de irmãos. Nascido em Assis, na Itália, em 1182, veio de uma família burguesa, mas entrou para a história como exemplo de desprendimento. Renunciou a tudo o que tinha para se dedicar à vida religiosa. Diante do pai rico, que desejava que ele seguisse seus passos, despiu-se completamente, mostrando que o bem maior era o espírito. Sua crença em Jesus era tão grande que chegou a ter no próprio corpo as chagas da crucificação, fenômeno conhecido como “estigmatização” e também observado em Santa Rita de Cássia. Quando se tornou frade, passou a se dedicar ainda mais aos pobres e doentes, sobretudo aos leprosos, beijando-os sempre com infinito e verdadeiro amor.

Em 1212, fundou com sua amiga Clara – que depois também se tornaria santa – a Ordem das Damas Pobres. Juntos, lançaram um movimento de caridade que até hoje inspira seguidores no mundo todo. Não é raro vermos, pelas ruas das grandes cidades, freis e frades franciscanos cuidando de mendigos e meninos de rua. Em 1939, o Papa Pio XII proclamou Francisco padroeiro da Itália, dizendo ser ele o “mais italiano dos santos e o mais santo dos italianos”. Quarenta anos depois, o Papa João Paulo II deu a ele o título de patrono dos ecologistas, um jeito bem atual de homenagear e reverenciar seu nome.

Francisco morreu em Assis, em 1226, mas sua mensagem de amor ainda ecoa em nosso coração. Em sua oração mais famosa, ele nos ensina a levar o bem aonde quer que o mal se manifeste, agindo como instrumento de paz. Frei Carlos Carretto, pesquisador da vida do santo e autor de Eu, Francisco (ed. Pau Paulus), enxerga Francisco como uma figura atemporal, pois seus ensinamentos não perdem a força com o passar dos séculos. “Até hoje, ele é um modelo de homem que não se isola em sua angústia pessoal e se lança ao encontro da natureza e de Deus”, afirma Carretto.

Autoria: Melissa Diniz
Disponível em:  http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/ambiente/sao-francisco-assis-ensinou-amar-natureza-mestre-bonsfluidos-602658.shtml

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Conforme solicitado pelo curso de Educação Ambiental da UFLA estou postando meu comentário sobre os vídeos e as discussões nos fóruns:

Preservação Integral x Sustentabilidade: caminhos opostos que se complementam

Com a crescente degradação da natureza após a evolução industrial, o ser humano viu-se diante do dilema de preservar a natureza, diante da escassez dos recursos naturais e da ameaça à sua própria sobrevivência.
Seguindo o modelo norte-americano, países da América Latina criaram áreas de preservação protegidas por lei, como forma eficaz de coibir a degradação ambiental.
Entretanto, a grande parte destas áreas possuem uma população nativa de indígenas ou de sertanejos (mestiços) que, segundo alguns especialistas e o imaginário popular, teriam um modo de vida mais harmônica ao meio ambiente, estando cientes de sua dependência econômica e existencial e, consequentemente, manteriam uma relação de sustentabilidade ambiental, algo muito diferente do contexto industrial contemporâneo.
O problema surge com a questão da metodologia e das estratégias para manter a preservação dessas reservas naturais e sua população. Muitos ecologistas adeptos de visão mais tecnicista e conservadora, alertam para o fato de que somente áreas sem a presença humana podem ser preservadas integralmente. Alegam que a convivência do homem com a natureza sempre vem acompanhada da exploração desta, mesmo no caso de populações indígenas habituadas no meio florestal. Comprovam através de dados geológicos e históricos que mesmo os indígenas na era pré-cabralina tinham explorado consideravelmente a natureza, levando à extinção, além disso, inúmeras espécies vegetais e animais. Assim, o ideal do "bom selvagem" é fruto de um pensamento coletivo do século XVIII, herdeiro das teorias naturalistas de Rousseau.
Por outro lado, grande parte dos ambientalistas seguem um modelo bem diverso na apreciação deste problema. Alegam que é possível a convivência harmônica e sustentável do homem com a natureza, nos moldes das populações indígenas, sertanejas e ribeirinhas, enquanto afastadas do contato do mundo capitalista-industrial. Além de conservarem o meio em que vivem, alguns especialistas afirmam que certas espécies de vegetais e animais dependem sobremaneira dessa relação homem/natureza.
Decerto, ambas as correntes de análise tem seus méritos e trazem verdades que podem auxiliar a compreender a realidade socioambiental, mas deve-se admitir que ambas tratam a questão de forma unilateral. É evidente que o ser humano, desde os primórdios, explora o meio em que vive. Desmistificar certas imagens construídas pelo tempo é essencial na busca de cientificidade nas análises. Cultuar o ideal do nativo ou sertanejo alheio ao mundo moderno é romancear a questão, uma vez que esse status quo só é mantido se as condições de isolamento social forem mantidas. Caso contrário, o "bom selvagem" acaba se transformando num capitalista que prefere vender a madeira de suas terras para se acomodar ao mundo moderno.
Entretanto, a expulsão ou a retirada das populações nativas ou sertanejas das áreas de preservação é uma solução unilateral e simplória que pode provocar mais miséria, uma vez que essas populações não tem condições educacionais e profissionais para engajarem na sociedade industrial.
Nesse sentido, a postura socioambiental é mais acertada na maioria dos casos, tendo em vista a preservação sociocultural dessas populações.